Se você gosta de Moda – e provavelmente gosta, porque está lendo essa coluna – já se deparou com pessoas que dizem que é um meio fútil, um assunto tolo ou até coisa pior. Já viu o filme “O diabo veste Prada” (2006)? Nesse filme há uma cena conhecida por muitos como “a cena do suéter azul”. Nessa cena, a protagonista Andy (Anne Hathaway), uma jovem que não gosta de Moda, mas que – por ironia da vida – trabalha como assistente da importantíssima executiva Miranda Priestly (Meryl Streep), uma figura chave do universo fashion, recebe uma lição sobre a importância econômica do setor.
A cena começa com Miranda e outros colaboradores da revista escolhendo roupas para um editorial de moda. Em um determinado momento, uma das colaboradoras mostra dois cintos bastante parecidos para a chefe e observa que é uma escolha difícil se decidir por um deles. Andy ri com ar de deboche e se justifica dizendo que os dois cintos parecem, para ela, exatamente iguais. Diante dos olhares incrédulos dos outros, a moça diz que ainda está aprendendo sobre “essa coisa”. Essa coisa: a Moda. É quando Miranda Priestly explica para Andy que ela até pode pensar que escolheu, sem interferência alguma, o feio suéter azul que está usando. Só que aquele específico tom de azul foi uma decisão de estilistas importantes para suas coleções. Eles não escolheram azul marinho ou azul turquesa, eles escolheram o azul cerúleo – a cor do suéter de Andy. E essa escolha de cor seguiu o seu curso: o azul cerúleo foi das passarelas de alta costura para as lojas de departamento e, dessas lojas, para comércios populares. Nesse trajeto, muitos empregos foram gerados e a economia se movimentou. Em resumo: a escolha de um determinado tom de roupa pode representar muito dinheiro e trabalho nos diversos setores que a indústria da Moda engloba, além de influenciar as escolhas de compras de qualquer pessoa. Mesmo de quem não liga a mínima para o assunto.
Quer dados para comprovar a importância econômica do setor? Vamos lá.
O IPC Maps é uma pesquisa publicada todos os anos pela IPC Marketing Editora, uma empresa especializada que utiliza metodologias exclusivas para calcular o potencial de consumo brasileiro, com base em dados divulgados por instituições oficiais. E é essa pesquisa que afirma que o setor de moda brasileiro movimentará, até o final de 2023, cerca de R$ 221,6 bilhões, ou seja, um aumento de 6,8% em relação ao ano passado, quando respondeu por R$ 207,5 bilhões.
Nos cálculos acima, são levadas em conta despesas com vestuário confeccionado; calçados; e joias, bijuterias e até armarinhos! Sim, armarinhos. A Moda também está lá, na compra de linhas e botões pela costureira de uma cidade pequena. Quando se diz que se trata de uma indústria geradora de empregos, isso não quer dizer apenas o estilista famoso ou o fotógrafo hypado. São costureiras, alfaiates, modelistas, vendedores autônomos, pequenos e médios empreendedores… É um setor importante para o país e para a economia, bem longe de ser futilidade ou tolice e merecer risadas irônicas como a da personagem Andy.
