A mistura de música clássica com popular que a Orquestra Ouro Preto apresenta em Hilda Furacão já mostrou que veio pra ficar. Depois de esgotar todas as sessões no Theatro Municipal de São Paulo, a peça sai em turnê por várias cidades do Brasil ao longo de 2025, e não é difícil entender o porquê do sucesso.
A estreia na capital paulista reuniu um público super variado, de jovens a idosos, e ficou claro que o espetáculo é para todo mundo: quem curte música clássica, quem gosta de música brasileira ou quem ama teatro musical. O libreto em português e a linguagem acessível fazem com que o show quebre aquela barreira do “ópera é coisa difícil” e se transforme numa experiência cultural que realmente envolve.
A história, que veio do livro de Roberto Drummond e ficou famosa na minissérie dos anos 90, ganha uma nova vida com a voz da mezzo-soprano Carla Rizzi. Ela traz para Hilda uma mistura perfeita de intensidade e sensibilidade que prende a atenção. Já Anibal Mancini, no papel de Frei Malthus, mostra o conflito entre desejo e fé com uma entrega que emociona. A trilha sonora, assinada por Tim Rescala, é um capítulo à parte: ele juntou sons que marcaram os anos 60 no Brasil com a tradição da ópera europeia, numa mistura que soa fresquinha e vibrante.
Foto: Rapha Garcia
Dividida em dois atos e com intervalo de 20 minutos, a ópera prende do começo ao fim. A combinação das vozes potentes do elenco, a química entre Hilda e Santo e as críticas sociais que aparecem na trama fazem da experiência algo difícil de esquecer. O canto, a música da orquestra e a atuação se juntam com tanta naturalidade que envolvem o espectador de um jeito nostálgico e muito cativante, conectando a gente de verdade com cada personagem.
Depois do sucesso em São Paulo, o espetáculo segue para Belo Horizonte nos dias 18 e 19 de setembro, depois para o Rio de Janeiro em 27 e 28 de setembro, Curitiba nos dias 22 e 23 de outubro, e encerra em Boa Vista nos dias 31 de outubro e 1º de novembro. Com esse itinerário, a turnê promete conquistar ainda mais gente com essa obra que é puro Brasil no palco — assim como já conquistou a gente.
Texto: Paola Fernandes
