Fotos: Filippo Fior
Sob uma cobertura de lenços de seda que balançavam suavemente no pátio da sede da Celine, em Paris, Michael Rider apresentou sua primeira coleção feminina durante a Paris Fashion Week. O cenário, leve e poético, já anunciava o tom do desfile: o lenço, símbolo de tradição e refinamento, agora transformado em parte das próprias roupas.
Em uma carta entregue antes do show, Rider escreveu que “Celine representa qualidade, atemporalidade e estilo”. Essa ideia aparece em cada detalhe da coleção. A Spring 2026 não busca romper com o passado, mas costurar com delicadeza as diferentes fases da marca: a precisão moderna de Hedi Slimane, a feminilidade inteligente de Phoebe Philo e um toque novo, mais solto e espontâneo.
Os lenços são o grande destaque. Viram vestidos, saias, blusas e até capas, sempre com leveza e movimento. Há algo de livre nessas peças, uma elegância natural, que não força, apenas acontece. A paleta segue o DNA da Celine: tons neutros e suaves como bege, branco e preto, com pontos de cor em azul e vermelho para dar frescor ao conjunto.
O resultado é uma coleção que resgata o melhor da marca: roupas que unem simplicidade e desejo. A alfaiataria é precisa, as blusas têm caimento perfeito, e os tecidos parecem deslizar sobre o corpo. Rider mostra que entende a mulher da Celine: alguém que valoriza o conforto e o bom gosto, sem precisar provar nada a ninguém.
Ainda assim, um detalhe destoou. Entre tantas peças elegantes e limpas, um suéter com o logo da marca em tamanho exagerado chamou atenção de forma negativa. Celine nunca precisou de símbolos gritantes para afirmar sua identidade — especialmente na fase comandada por Phoebe Philo, quando a marca se tornou sinônimo de discrição e luxo silencioso. Ver o logotipo como destaque parece ir contra o espírito refinado que sempre definiu a maison.
Apesar disso, o conjunto é bonito, equilibrado e cheio de emoção. Michael Rider conseguiu captar a essência da Celine e atualizá-la sem perder sua alma. Ele trouxe de volta uma sensação de leveza e movimento — como se o luxo, mais uma vez, estivesse no toque do tecido e no modo de vestir, não no que se mostra.
A Celine volta a emocionar. E talvez esse seja o maior acerto de todos.
