Era início de tarde em Paris quando vi uma mulher cruzar a Rue du Bac com um vestido de seda branco, justo ao corpo, com alças finas e um caimento leve que lembrava as camisolas de outros tempos. Nos pés, um mocassim de couro. Nenhum salto. Nada óbvio. A bolsa atravessada e o cabelo preso em um coque baixo completavam a imagem. Em qualquer outro momento, talvez a roupa fosse lida como íntima demais, mas ali, naquele cenário, o vestido não parecia fora de lugar. Pelo contrário. Era como se ela tivesse vestido a própria confiança.
A cena poderia ter saído de Os Sonhadores, ou de algum filme francês em que a lingerie faz parte da narrativa do corpo e da liberdade. Mas essa estética que flerta com o íntimo e se projeta no urbano não vive só na ficção. Hoje, mais do que nunca, peças de lingerie ganharam espaço no dia a dia. E não como provocação, mas como linguagem.
Nomes como Vivienne Westwood, com seus corsets esculturais, Jean Paul Gaultier, pioneiro em trazer o espartilho para a passarela, e Dolce & Gabbana, com sua alfaiataria sensual pontuada por rendas e transparências, ajudaram a pavimentar esse caminho. Mais recentemente, marcas como Nensi Dojaka vêm propondo uma leitura mais leve e arquitetônica da lingerie como peça principal. Saint Laurent e Jacquemus também têm desfilado peças que jogam com o erotismo minimalista, ora com vestidos de seda fluida, ora com tops estruturados combinados a saias e calças de corte reto.
Essa sensualidade, aliás, não é sobre mostrar. É sobre sugerir. Há um jogo visual e simbólico em vestir uma peça que, até pouco tempo, era exclusiva do privado. Quando incorporamos a lingerie ao cotidiano, rompemos com ideias antigas de controle sobre o que se pode ou não usar. E isso tem tudo a ver com uma nova forma de empoderamento. Silenciosa, mas potente.
Em Closer: Perto Demais, de Mike Nichols, Julia Roberts aparece em uma cena usando um vestido que mais parece uma combinação. O visual, simples e provocante, carrega uma carga emocional que ultrapassa o figurino. É sobre estado de espírito. Sobre uma mulher que se veste para si. E esse talvez seja o ponto de partida para entender a tendência: a lingerie à mostra não é para o outro. É para quem usa.
Os vestidos de cetim, os bodies com transparência, as rendas em detalhes estratégicos não pedem decotes profundos ou saias curtas. São peças que vestem intenções e gestos. Que dançam com a luz do dia e não temem a naturalidade da pele.
Para quem ainda acha desafiador trazer essas peças para a rotina, a dica está na composição. Um corset preto com calça de alfaiataria. Um top de renda sob o blazer. Um vestido tipo camisola com jaqueta estruturada. Tudo é equilíbrio. O segredo está em tratar a lingerie como parte do look, não como um enfeite ou artifício. Ela pode ser clássica, urbana, discreta ou dramática. Mas sempre real.
Vestir uma peça íntima como quem veste coragem. Incorporar o desejo à rotina. Fazer do corpo um espaço de expressão, não de exposição. Esse é o novo luxo. Não está nos brilhos, mas no toque da seda contra a pele. Na liberdade de caminhar com as próprias escolhas.
No fim das contas, a mulher que vi na Rue du Bac nem olhou para os lados. Não esperava aprovação. Ela estava ali com sua roupa leve, segura, e com algo ainda mais poderoso: a certeza de que sensualidade não se explica. Se sente.
Para vestir o desejo: onde encontrar peças com estética lingerie no Brasil
| Marca | O que oferece | Estilo predominante |
| Intimissimi | Tops de renda, bodies e camisolas sofisticadas que funcionam como peças do dia | Sensualidade romântica e minimalista |
| NK Store | Curadoria de marcas internacionais como Nensi Dojaka e Dion Lee | Moda conceito com toque sexy |
| A.Brand | Vestidos de seda com inspiração boudoir e detalhes em renda | Elegância contemporânea |
| Gloria Coelho | Peças com transparências estratégicas e estruturas tipo corset | Futurismo delicado |
| DANIELA TOMAS | Lingerie com toque fashionista, pensada para ser exibida | Delicado e cool |
| Haight | Bodys e tops de modelagem precisa, que podem ser usados fora da praia | Casual e sofisticado |
| Lenny Niemeyer | Maiôs e bodies em tecidos nobres que transitam entre beachwear e urbano | Tropical chic |
