“A arte nasceu para comunicar.” Essa frase, dita pelo artista plástico Samuel Caixeta, ecoa como um mantra na sua trajetória, que, desde a infância, encontrou na expressão artística não apenas um refúgio, mas uma forma de superar desafios, se conectar com o mundo e transformar vidas. Aos 30 anos, Samuel é um nome que ressoa no cenário internacional da arte plástica, mas sua história vai muito além das exposições em museus renomados e murais gigantescos. É uma jornada de superação, fé, criatividade e propósito social.
Nascido em Goiânia (Goiás), Samuel cresceu em um lar onde a arte era parte do cotidiano — seus pais, artistas plásticos com quase 50 anos de carreira, foram seus primeiros mestres e inspiração. Desde os 7 anos, ele já pintava, mas a infância não foi fácil. Diagnosticado com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e TPAC (Transtorno do Processamento Auditivo Central, uma condição em que o cérebro tem dificuldade em processar informações sonoras), enfrentou bullying na escola, ansiedade e o medo de não ser aceito. Enquanto as outras crianças escreviam, ele desenhava para se expressar, encontrando na arte uma linguagem própria. Uma avaliação de médicos identificou que ele não era apenas artista, mas também uma criança com altas habilidades para artes, embora carregasse um complexo de inferioridade e receio de se mostrar. A arte, para ele, foi uma linguagem que o ajudou a se comunicar quando as palavras não bastavam. Aos 12 anos, uma experiência de fé mudou sua perspectiva. Samuel entendeu que o amor divino lhe dava forças para vencer as dificuldades e começou a perder a vergonha de se expressar, tanto em público quanto em suas obras. Essa transformação interna foi fundamental para que ele abraçasse a arte como sua missão de vida.
Artista neoexpressionista e multifacetado, Samuel transita entre a pichação, o grafite, a street art, esculturas e a pintura em telas, com mais de 3 mil obras produzidas. Dentre suas peças, pode-se listar exemplos como uma bota personalizada entregue ao jogador Neymar Jr. A peça traz elementos que celebram a trajetória do jogador e a comunidade onde cresceu, além de símbolos que remetem ao legado de Pelé. Olhando sua conta de Instagram, nota-se diversas pinturas feitas em miniaturas de carros e bolsas de luxo, palestras feitas para empresas multinacionais, muitas exposições e eventos como O Legado, em que conta sua trajetória artística com seu pai.
Sua arte é marcada por uma liberdade criativa intensa e uma emoção que transborda. Um dos seus trabalhos mais emblemáticos é o personagem Narigudinho, um bonequinho com nariz grande que simboliza as imperfeições e dificuldades que todos carregamos. “Narigudinho está sempre alegre, focado na solução e nos sonhos, convidando o público a olhar além das limitações e enxergar caminhos”, diz Samuel. “Enquanto alguns só olham para a ponta do próprio nariz, meu personagem quer ensinar a olhar além, e encontrar soluções”, comenta o artista. “Afinal, todos nós somos narigudinhos”, diz.
Uma das maiores expressões deste personagem é o mural de 450 m² no Centro TEA (Transtorno do Espectro Autista) Paulista, em São Paulo, que levou 112 horas para ser concluído. Narigudinho também ganhou esculturas, telas, bonés e camisetas. E, atualmente, o artista trabalha no livro de colorir Narigoods, ampliando seu universo criativo para novas gerações. A capa do livro foi escolhida em um campeonato, durante um evento com 40 crianças, que teve participação da atriz Giovanna Urbano, que interpretou a personagem Mônica no filme “Turma da Mônica – Origens”.
Com a carreira profissional iniciada aos 23 anos, após investir em estudos, incluindo um curso no Museum of Modern Arts (MOMA), em Nova York (EUA), Samuel participou de workshops com o artista plástico norte-americano Jay Milder, mentor de Jean-Michel Basquiat, e já expôs suas obras em cidades como Nova York, Paris, Dubai, Veneza, Egito, Miami e Turim. Seu trabalho foi reconhecido em premiações internacionais, como o International Salon of Contemporary & Urban Art de Nova York, e é representado por galerias renomadas como Saphira & Ventura (Nova York, EUA).
Eu acredito no seu sonho
O artista acredita que para realizar um sonho, “é preciso pintá-lo, pois ele precisa de materialização e fé para ser concretizado”. Com essa base, fundou o projeto Eu acredito no seu sonho, que leva a arte para crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade. Nele, há oficinas, palestras e atividades que estimulam o desbloqueio criativo e a materialização dos sonhos. Samuel diz, “provavelmente muitas crianças nunca terão a chance de visitar uma galeria, então a arte mostra que a criatividade é um caminho para a esperança e a superação”.
Em 2023, lançou o livro O Profissional Criativo, cuja verba é revertida para o instituto ligado ao projeto social, reforçando seu compromisso com a arte como ferramenta de transformação.
Arteterapia
Em parceria com o empresário e executivo Beto Santos (ex-Apple, ex-Go Daddy), Samuel também é sócio do Meu Ateliê, um espaço de 700 m² em Alphaville, São Paulo, dedicado à arteterapia. Ali, pessoas de todas as idades, principalmente pais e filhos, encontram um ambiente para se expressar livremente, aliviar angústias, depressão e ansiedade por meio da pintura espontânea e da criação artística. O ateliê também promove eventos corporativos, tendo grandes empresas multinacionais como clientes, além de festas, ampliando o alcance da arte como experiência de conexão e cura.
Samuel comenta, “não é sobre a obra pronta, é sobre o que acontece enquanto ela é feita. Quando pais e filhos pintam juntos, eles estão se ouvindo sem dizer uma palavra. É ali que mora a potência da arte.” “As atividades no Meu Ateliê são de liberdade criativa, quando as pessoas podem pintar o que quiserem – o teto, algum objeto, a roupa, o outro”, comenta o artista.
Arte Digital
Dando continuidade à sua trajetória de experimentação e inovação no campo das artes visuais, Samuel também abraça os desafios da era digital e da inteligência artificial. Em 2022, realizou a venda de sua primeira obra em NFT, intitulada “Será que foi sorte?”, durante uma mostra no Museu Nacional da Civilização Egípcia. Foi o único artista, dentre 170 de todo o mundo, a levar arte digital nesta mostra.
Na mostra, Samuel Caixeta apresentou sua arte digital em formato de NFT (Token não fungível), tecnologia que utiliza blockchain para garantir a autenticidade e a exclusividade da propriedade da obra ao comprador, embora a peça possa ser apreciada por outros admiradores.
Perguntado sobre o futuro da arte, com o crescimento da Inteligência Artificial, ele diz: “a inteligência artificial sempre vai precisar da mão humana por trás. A arte digital é uma extensão da criatividade humana, não um substituto.”
